Certa vez, durante uma experiência interna dolorosa, me disseram: “Não gaste sua energia pensando no que os outros pensam sobre você. Você sabe quem é, e eu também sei”. Naquele exato momento, minha mente só conseguia retrucar: “Mas eu amo esta pessoa! Eu jamais a julgaria ou falaria dessa forma, muito menos faria isso com ela… e está doendo”. Hoje, porém, consigo identificar o quanto aquelas palavras faziam sentido.
Quanto mais acumulamos experiências dolorosas de julgamento em nossos relacionamentos, sejam familiares, de amizade, amorosos ou profissionais, maior tende a ser o nosso medo de nos expor. Nossos pensamentos tentam nos convencer de que seremos feridos novamente, e o resultado, muitas vezes, é a paralisia.
Reconhecer esse medo é fundamental. Mas pergunto: deixar-se paralisar por ele te leva a uma vida interessante ou a uma existência sem graça, sem brilho e sem cor? Inspirada pela escrita de Natália Sousa no livro Medo de Dar Certo, compartilho duas realidades difíceis, mas libertadoras: “Você não vai agradar a todos” e “Você será julgado”. Impreterivelmente.
Ler isso foi como levar uma “pedrada”, mas encarar essa verdade é o que nos liberta. Isso nos retira o hiperfoco de tentar encontrar um jeito perfeito e muitas vezes irreal de existir. Às vezes, acreditamos piamente que, se encontrarmos esse “jeitinho” ideal, evitaremos conflitos, ficaremos em paz e não seremos julgados. Pura ilusão.
Tanto o livro quanto o meu próprio processo de autoconhecimento na terapia (que, aliás, retomei na semana passada, pois terapia é vida!) me ajudaram a perceber algo crucial: não importa o quanto nos dediquemos ou o quanto negligenciemos nossa própria dor para cuidar da dor alheia. Nossa forma de existir, de falar ou as escolhas que fazemos sempre poderão incomodar alguém. O julgamento do outro é filtrado pelas crenças, valores e pela visão de mundo de quem julga, não pela sua realidade.
Ontem você era a “queridinha” aos olhos de alguém, hoje pode ser o alvo, amanhã, será outra pessoa. Não importa o cenário ou a boa intenção, seja em uma festa infantil ou no envio de uma mensagem para alegrar o dia de alguém, basta existir para estar sujeito a ser julgado ou difamado. Por isso, gosto tanto da frase: “Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais sobre Pedro do que sobre Paulo”.
Se alguém está machucado, pode escolher silenciar e cuidar de sua dor, ou projetá-la, julgando e ferindo o outro. Isso é uma escolha dela. Para quem é julgado, o importante é entender que, por mais que você tente controlar seu comportamento, nada interferirá no tribunal alheio. O que o outro pensa e sente você simplesmente não controla.
O que você possui, sim, é o poder de cuidar para que seus pensamentos e emoções não te levem a comportamentos que te afastem do que é importante para você. Qual a melhor versão de si mesmo queres construir? Vale a pena gastar energia com o que não é seu?
Ultimamente, tenho lutado para lembrar que o julgamento do outro diz respeito a ele, não a mim. Meu maior aprendizado tem sido não dar importância ao que não me pertence: a maldade alheia.
Bruna Cabral – Psicóloga Clínica.


